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Cooperativas mineiras compartilham experiências de liderança feminina com países asiáticos
29
Out

Cooperativas mineiras compartilham experiências de liderança feminina com países asiáticos

Minas Gerais consolidou sua posição de destaque internacional na valorização do protagonismo feminino no agronegócio. Entre os dias 20 e 22 de outubro, uma comitiva internacional com representantes dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário do Camboja, Laos, Mianmar, Timor-Leste e Vietnã percorreu o estado para conhecer de perto três experiências de sucesso em cooperativas cafeeiras do Sul e Sudoeste mineiro.

A visita fez parte de um programa de cooperação entre o Brasil e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), liderado pelo Sistema OCB, entidade que representa o cooperativismo nacional, em parceria com o Sistema Ocemg. O roteiro também contemplou agenda em Brasília, com visita à Associação e Cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia (DF).

Boas práticas no Sul e Sudoeste de Minas

A imersão técnica começou em Guaxupé, no Sudoeste do estado, onde a delegação asiática conheceu o projeto Donas do Café, desenvolvido pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). A iniciativa oferece capacitação, suporte técnico e canais dedicados para a comercialização dos cafés especiais produzidos pelas cooperadas.

Na sequência, em Poço Fundo, no Sul de Minas, o grupo visitou o Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI). Fundado em 2006 pela Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam), o grupo é pioneiro no fortalecimento da autonomia e na busca por igualdade de oportunidades para as agricultoras familiares da região.

A rota finalizou em Três Pontas, com a apresentação do Cafeína, movimento criado pela Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel). Com mais de 3 mil cooperadas, a rede foca em capacitação técnica e gerencial para acelerar a gestão feminina nas propriedades rurais. O projeto conta com uma linha exclusiva de cafés especiais produzidos por mulheres, cujos grãos já são exportados para mais de 25 países.

Avanço representativo e alinhamento com a ONU

O intercâmbio de conhecimento ocorre em um momento emblemático: 2026 foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, dedicado a evidenciar o papel feminino na segurança alimentar global e a mitigar gargalos históricos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que as mulheres compõem 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares da América Latina e do Caribe, enfrentando ainda restrições no acesso a crédito, tecnologia e posições de liderança.

Em Minas Gerais, contudo, o cooperativismo tem transformado esse cenário. O estado conta atualmente com 28 comitês locais de mulheres cooperativistas e um comitê consultivo estadual, focado na formação contínua e no fortalecimento da representatividade.

“Nos últimos cinco anos, a presença feminina na direção das cooperativas passou de 15,6% para quase 22%. Nosso compromisso é dar continuidade a esse avanço, ampliando as oportunidades para que mais mulheres ocupem espaços na produção, na gestão e nas decisões das nossas organizações”, enfatizou Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg.

Fonte: Rádio Itatiaia com adaptações da MundoCoop

Fonte: Mundo Coop

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