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O peso do Agronegócio na eleição de MG
08
Out

O peso do Agronegócio na eleição de MG

O primeiro turno das eleições, no último domingo, já trouxe um retrato claro de como o agronegócio pesou na decisão das urnas, principalmente aqui em Minas Gerais. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, foi eleito governador logo na primeira votação, dispensando o 2º turno e confirmando uma tendência observada em diversas regiões agrícolas do país, em que candidatos de direita e centro-direita costumam concentrar maior apoio do eleitorado rural.

Essa identificação tem raízes que vão além da economia e passam por valores culturais muito presentes no campo, como o apego à tradição, à propriedade privada e à estrutura familiar como base da vida produtiva, o que aproxima o produtor de discursos que defendem segurança jurídica sobre a terra.


Esse alinhamento com pautas de menor intervenção estatal não interessa apenas a quem já vive da terra, mas também a todo caeteense que vem pensando em dar os primeiros passos numa atividade rural, seja numa horta comercial, numa pequena produção de queijos e embutidos ou na criação de pequenos animais.

O plano de governo apresentado durante a campanha trouxe sinais de simplificação burocrática, bandeira que, se confirmada na prática nos próximos 4 anos, pode tornar o início desse tipo de negócio bem mais acessível do que foi até aqui.

Um dos pontos mais sensíveis para quem está começando é justamente a obtenção dos selos de inspeção sanitária, sem os quais nenhum produto de origem animal pode ser vendido legalmente. A expectativa é que um governo alinhado às pautas de desburocratização enxugue prazos, reduza exigências excessivas de estrutura física e avance na integração entre esses sistemas, permitindo que o produtor iniciante evolua mais rápido da venda limitada ao município para a comercialização em todo o Estado.

Essa agilidade é exatamente o que costuma travar o início de muitos pequenos negócios rurais em Caeté, já que o produtor iniciante muitas vezes esbarra em exigências que demoram meses para serem cumpridas, enquanto o investimento já feito em estrutura e animais segue parado sem gerar retorno.

Se o novo governo cumprir a promessa de reduzir essa burocracia, o caeteense que pensa em transformar o quintal ou um pequeno sítio numa fonte de renda pode ter pela frente um caminho mais curto entre a ideia e a primeira venda legalizada, o que também amplia a possibilidade de participar de feiras regionais, fornecer para mercados locais e até acessar editais de compra institucional, como merenda escolar, que exigem o selo de inspeção como pré requisito. Ao mesmo tempo, vale lembrar que essa flexibilização, se não vier acompanhada de uma política econômica equilibrada, pode conviver com os mesmos problemas de juros altos e crédito caro vistos recentemente, já que o custo do dinheiro depende muito mais da Selic e da política fiscal do que da orientação ideológica isolada de um governo.

Para o cidadão de Caeté, seja o produtor já estabelecido ou quem sonha em empreender no campo, o recado dos próximos 4 anos é de cautela otimista, observar de perto se essas promessas de simplificação de selos e redução de burocracia realmente saem do papel, pois é esse tipo de mudança concreta, e não apenas o discurso de campanha, que vai definir se o pequeno produtor rural da nossa região finalmente terá o caminho facilitado para colocar seu produto na gôndola do mercado local, com reflexo direto na calculadora do supermercado de cada família.

Fonte: Jornal Opinião :. Caeté MG

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