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Mudanças climáticas levam cooperativas a reforçar prevenção de perdas no campo
24
Out

Mudanças climáticas levam cooperativas a reforçar prevenção de perdas no campo

Agro

Diante do aumento de eventos climáticos extremos, cooperativas do Paraná intensificam orientações sobre seguro rural, prevenção de prejuízos e proteção financeira dos produtores

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura

agro — Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A intensificação dos eventos climáticos extremos tem ampliado a preocupação do cooperativismo agropecuário paranaense com a prevenção de prejuízos nas lavouras. Chuvas intensas, estiagens prolongadas e oscilações bruscas de temperatura exigem dos produtores estratégias de proteção que vão além do planejamento tradicional das safras.

O desafio envolve tanto a adoção de práticas de manejo capazes de reduzir a vulnerabilidade das propriedades quanto a ampliação do acesso a instrumentos financeiros, como o seguro rural. Para as cooperativas, o problema também afeta o recebimento de matéria-prima, a organização da produção e a previsibilidade dos investimentos.

A preocupação ganhou dimensão concreta nesta semana. Entre os dias 21 e 22 de outubro, o Sistema Ocepar, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Paraná (Sescoop/PR), promoveu uma capacitação online sobre seguro rural, direcionada a técnicos, consultores e profissionais das cooperativas. A iniciativa buscou preparar o setor para enfrentar os riscos climáticos e orientar os produtores sobre mecanismos de proteção financeira.

O encontro ocorreu em um momento de alerta para o campo paranaense. Segundo previsão divulgada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), algumas cidades do Estado podem registrar até 200 milímetros de chuva entre quinta-feira (22) e domingo (25). O risco de temporais atinge principalmente o Oeste, Sudoeste, Noroeste e Norte, com possibilidade de rajadas intensas de vento, descargas elétricas e granizo.

 

Seguro rural ganha importância

Durante a capacitação, o economista do Sistema Ocepar Anderson Sartorelli destacou o papel das cooperativas na orientação dos agricultores. Segundo ele, as informações sobre os mecanismos de proteção são fundamentais para o planejamento das próximas safras, especialmente porque as cooperativas mantêm contato direto com os produtores.

O engenheiro agrônomo Luiz Antonio Digiovani, especialista em crédito e seguro rural, ressaltou que o investimento em tecnologia e o cumprimento do calendário agrícola não são suficientes para garantir bons resultados quando as condições meteorológicas são desfavoráveis. Mesmo em anos de produção nacional recorde, determinadas regiões podem registrar prejuízos expressivos, evidenciando a desigualdade dos impactos climáticos sobre a agricultura.

A orientação apresentada aos participantes foi baseada em três frentes: prevenção, transferência de riscos e recuperação financeira. A primeira envolve o uso de tecnologias adequadas e o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que identifica os períodos e as condições mais favoráveis ao cultivo. A segunda inclui instrumentos como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o seguro rural. A terceira prevê medidas de enfrentamento das perdas, incluindo renegociação de dívidas e mecanismos de compensação.

 

Nova legislação altera regras de proteção

A discussão também abordou a Lei nº 15.526, sancionada em 29 de setembro de 2026, que estabeleceu um novo marco legal para o seguro rural brasileiro. A legislação busca ampliar a proteção das atividades agropecuárias, aperfeiçoar as regras de subvenção e conferir maior previsibilidade ao financiamento das apólices.

Uma das mudanças é a ampliação do alcance da legislação para diferentes segmentos produtivos, incluindo pecuária, silvicultura e aquicultura. O texto também estabelece regras para os procedimentos das seguradoras e procura fortalecer a relação entre crédito rural e contratação de seguros.

Outro ponto importante é a previsão de maior estabilidade orçamentária para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mecanismo pelo qual o governo federal contribui para reduzir o custo da contratação das apólices pelos agricultores.

Entretanto, a nova legislação não assegura automaticamente o recebimento do benefício. Durante a capacitação, o engenheiro agrônomo Loreno Budke explicou que, apesar dos avanços na organização do programa, a concessão da subvenção continua sujeita às condições estabelecidas para sua execução.

A lei também reforça a necessidade de compartilhamento de informações sobre a atividade agropecuária pelos produtores interessados em acessar a subvenção. A medida busca ampliar a transparência e melhorar a avaliação dos riscos envolvidos nas operações.


Produção cresce, mas vulnerabilidade permanece

Os dados apresentados durante o encontro mostram a dimensão do desafio enfrentado pelo agronegócio brasileiro. A área plantada no país passou de 47,9 milhões de hectares na safra 2005/2006 para 83,5 milhões de hectares em 2025/2026, crescimento de 74,4%. No mesmo período, a produção avançou 192,2%, passando de 122,5 milhões para 358 milhões de toneladas.

A expansão demonstra os ganhos de produtividade proporcionados pela incorporação de tecnologias e investimentos no campo. Entretanto, também evidencia a importância de mecanismos capazes de proteger a renda dos agricultores diante de perdas decorrentes de fenômenos meteorológicos.

No Paraná, a necessidade de adaptação é particularmente relevante em razão da participação do agronegócio na economia estadual e da presença de cooperativas que atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o fornecimento de insumos até a industrialização e comercialização de alimentos.

O desafio não se limita a recuperar os prejuízos depois de uma tempestade ou estiagem. Envolve criar condições para que os agricultores consigam manter suas atividades, cumprir compromissos financeiros e planejar novas safras mesmo diante de um cenário de crescente instabilidade climática.

A capacitação promovida pelo Sistema Ocepar reforça, portanto, uma discussão que tende a ganhar espaço nas políticas agrícolas: a necessidade de combinar informação meteorológica, planejamento produtivo, instrumentos de proteção financeira e políticas públicas para reduzir os impactos das mudanças climáticas sobre a produção de alimentos.

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Fonte: Gazeta do Paraná

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