Carlos Bernardo critica burocracia no campo e promete defender mudanças para pequenos produtores
A rotina de pequenos produtores rurais e a necessidade de agregar valor à produção de Mato Grosso do Sul foram alguns dos principais assuntos abordados por Carlos Bernardo (União Brasil) durante entrevista ao Giro Estadual de Notícias nesta quinta-feira (17). Candidato a deputado federal, o empresário de Ponta Porã, a 350 km de Campo Grande, defendeu mudanças em procedimentos que, segundo ele, dificultam a atividade no campo e afirmou que pretende atuar para aproximar produtores, técnicos e órgãos públicos.
Entre os exemplos apresentados está a comercialização de produtos de pequenas propriedades. Carlos Bernardo afirmou que agricultores enfrentam dificuldades para vender itens como ovos, carne suína e outros produtos diretamente nas cidades por causa das exigências sanitárias. Ele disse ser favorável à fiscalização e ao controle de qualidade, mas defendeu uma estrutura que facilite a regularização.
“Eu concordo com a sanidade animal. A gente tem que cuidar disso mesmo. Você não pode criar um porco e vender na cidade, na feira, porque isso é porque aquilo é porque não sei o quê. Só burocracia.”
O candidato também citou a situação dos produtores que precisam lidar com exigências ambientais e defendeu maior apoio técnico para quem trabalha em pequenas propriedades. A proposta apresentada é criar mecanismos que ajudem o produtor a cumprir as regras sem eliminar as exigências de proteção ambiental e sanitária.

Sanidade animal também entra nas propostas
Outro ponto abordado foi o prazo de validade de exames relacionados à sanidade dos animais utilizados em eventos como cavalgadas e feiras agropecuárias. Carlos Bernardo afirmou que, em Mato Grosso do Sul, o exame teria validade de três meses e defendeu que o período seja ampliado para seis meses, como ocorre, segundo ele, em outros estados.
“Esse exame tem que voltar a ser válido por seis meses, como é nos outros estados da Federação Brasileira. Eu estou aqui para isso. Não vou forçar, mas vou abrir o diálogo.”
A proposta apresentada durante a entrevista também envolve uma maior aproximação entre governo, associações e representantes do setor produtivo. Carlos Bernardo afirmou que pretende discutir o assunto com entidades ligadas ao campo e buscar mudanças por meio de diálogo institucional.
Produção precisa sair do Estado com mais valor
A industrialização do agronegócio foi outro ponto recorrente na entrevista. Para Carlos Bernardo, Mato Grosso do Sul pode ampliar a geração de empregos se conseguir transformar dentro do próprio território parte da soja, milho, algodão, carne e outros produtos que atualmente seguem para outros mercados como matéria-prima.
“Nós não podemos ser um fazendão. Você imagine que em 2025 foi mandado para fora 500 mil cabeças de gado vivo para o Oriente Médio. Poderia ter preparado esse gado aqui. Olha o que perdeu na industrialização desse gado.”
O candidato relacionou a proposta ao crescimento esperado com a Rota Bioceânica e defendeu investimentos na formação profissional para atender novas empresas. Segundo ele, cursos de tecnologia e outras áreas precisam acompanhar a chegada de possíveis investimentos para que os trabalhadores de Mato Grosso do Sul possam disputar vagas qualificadas.
Saúde na fronteira também está no plano
Além das propostas voltadas ao campo, Carlos Bernardo voltou a defender a construção de um hospital binacional na região de Ponta Porã, com capacidade estimada entre 200 e 250 leitos. Ele afirmou que pretende buscar recursos da Itaipu Binacional para viabilizar o projeto, estimado em cerca de R$ 200 milhões.
“O nosso objetivo é esse. E outra coisa, é buscar recursos para ampliar os hospitais que recebem esses pacientes das outras cidades. Mas, de norte a sul da fronteira, de Corumbá a Mundo Novo, seria específico para atender essa demanda.”
Durante a entrevista, Carlos Bernardo também citou propostas relacionadas à educação, pessoas com deficiência, proteção animal e apoio a empresas da área educacional. Ele afirmou que pretende divulgar uma carta de propostas ao longo da campanha e disse que a intenção é apresentar compromissos para diferentes segmentos de Mato Grosso do Sul.
Fonte: A Crítica de Campo Grande



